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VIAJANDÃO

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Editor(a): Arthur Veríssimo



13 post(s) publicado(s) por “Arthur Veríssimo”.

Postado em 4/4/2009 8:11 por Arthur Veríssimo

Teste com imagem grande + lightbox

Aqui segue uma imagem que foi subida com mais de 1.000 px de largura:



E uma outra imagem que também também foi subida com mais de 1.000 px de largura:



E aqui uma que subimos com 700 px e não foi guardada, apenas gerou a imagem de 400 px abaixo:



Postado em 3/5/2007 17:05 por Arthur Veríssimo

Destino: [O Sobrenatural em Chiclayo]

Desta vez o destino foi Chiclayo, no Peru. Durante uma busca incansável por algo sobrenatural, bruxos ou curandeiros típicos deste verdadeiro “limbo” da América Latina descobri segredos e experiências inexplicáveis. Na bagagem cultural trouxe plantas mágicas, mistérios milenares e um corte de cabelo ímpar. Embarque nessa viajem assistindo à matéria!

Postado em 29/11/2006 8:56 por Arthur Veríssimo

[ Yoga na Índia ]: Malkamb #3/3





Pau pra toda obra

O malkhamb é praticado de duas formas distintas. Na primeira, usa-se um mastro de madeira de 3 metros, com base larga e ponta arredondada. A madeira é lisa para evitar atritos e assaduras. A outra modalidade é praticada com uma corda suspensa numa barra fixa horizontal. Em ambos os casos, os atletas executam manobras de torção e rotação que misturam malabarismo, contorcionismo e asanas – as posições da yoga. Assistir à prática do malkhamb impressiona. Nos exercícios de corda, os atletas parecem levitar no espaço em posição de lótus. Outros enrolam a corda no pescoço num suplício que parece um enforcamento. Não é brincadeira – um movimento errado e bye-bye vidinha boa. Para evitar acidentes o estado de alerta e de meditação é absoluto.
A carcaça trabalha por completo. Tendões, articulações e coluna vertebral não param. Se liguem, amiguinhos, temos 700 músculos, 300 articulações e 96 mil quilômetros de veias correndo por tronco e membros. É uma máquina complicada, difícil de ser mantida em bom funcionamento. O malkhamb ajuda a colocar o corpinho nos trinques para compensar os abusos diários. E é por isso que sua fama expandiu fronteiras. Na década de 70, dois ginastas indianos participaram de um congresso na Universidade de Colônia, na Alemanha. Lá foi constatado cientificamente que o malkhamb é um esporte completo. Os alemães gostaram tanto que incorporaram sua prática ao currículo da universidade.

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Postado em 29/11/2006 8:54 por Arthur Veríssimo

[Yoga na Índia]: Malkhamb #2/3





Macaquice

Chegar a Bombain é como entrar na medula óssea da casa dos ancestrais. Na periferia da caótica e vibrante cidade, encontrei o instituto Shree Samarth Vyayam Mandir, localizado no parque Shivaji, a léguas de distância dos estúdios de Bollywood. Duvido que os fissurados em novos esportes e modinhas de academia saibam o que é kabbadi, kho-kho, atyapatya, kushi ou malkhamb – todos esportes das antigas, praticados na Índia até hoje. Na porta de entrada do Shree Samarth, uma multidão de crianças e adolescentes com agasalhos pré-históricos (ou vintage?) conversava e se aquecia como em qualquer outro ginásio do planeta. No interior do templo sagrado, fomos apresentados ao mestre e disseminador do malkhamb, mister Uday Deshpande. Que simpatia! Sua alegria em receber brasileiros interessados no esporte foi surpreendente.

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Postado em 28/11/2006 11:45 por Arthur Veríssimo

[ Yoga na Índia ]: Malkhamb #1/3





YOGA: malkhamb

Todos os dias novidades invadem nossas mentes e corpos. O que vier no arrastão do eletrizante bonde “muderno” é lucro. As notícias dos telejornais e as novidades apresentadas por revistas, sites, filmes, moda e esportes mais saciam nossa sede desesperada pelo novo. Quem não está ligado no up-to-date é “celacanto” perdido na marola da vida. A quantidade incalculável de novos esportes de ação deixa a cabeça confusa, à mercê do que irá aparecer amanhã. Não se aflija, estimado leitor. Só fiz este desabafo porque estou prestes a colocar diante de seus olhos o que vi a aprendi na minha viagem à Índia em setembro de 2003, sobre uma técnica antiga e particular de trabalhar corpo e espírito.

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Postado em 18/10/2006 14:54 por Arthur Veríssimo

[ Camelagem ] Festival de camelos #3/3




O banho ritual é realizado ao nascer do sol e seus efeitos benéficos limpam os pecados dos penitentes, liberando-os para começar uma vida nova carregando o velho corpinho. Devotos e peregrinos indianos banhavam-se e rezavam com seus véus, saris e tecidos supercoloridos. Particularmente queria mesmo era andar de camelo. Voltamos para as colinas empestadas de poeira, fezes, moscas e fumaça. Conseguimos alugar dois camelos turbinados e treinados para competições. Recebemos as devidas informações de como conduzir o animal e de tomar cuidado com a galera. Não era a primeira vez que eu montava em um camelo, em outras viagens pelo deserto havia estado em safáris ao longo da fronteira do Paquistão. Quando subi no mamífero de dois metros e meio, repentinamente Raghu (nome do mamífero) saiu na disparada. Trotava como muita desenvoltura. Dominei o bichano e sai com meu camelo alado, voando pelos barrancos e moitas. Seu gingado me projetava para trás, pra cima e para os lados. No ritmo embalado a sensação é igual ao que experimentamos em um cavalo. Quanto mais o animal acelerava, seus aparentes defeitos sumiam. Passeamos um par de horas e ficamos encantados com sua leveza e elegância. Na despedida, Raghu emitiu uma série de grunhidos e gemidos intraduzíveis. Segundo o cameleiro, o animal estava feliz e explicou que o sentido mais desenvolvido do camelus dromedarius é a audição, sua vista é fraquinha e o olfato, uma lástima. Parece brincadeira, mas em uma corrida entre cavalo e camelo nas longas distâncias quem sempre vence é o camelo. O animal pode percorrer durante 16 horas direto e fazer até 140km por dia. Para um aprendiz de cameleiro haja hemorróidas, nádegas, coluna e pernas para agüentar uma aventura tão desgastante. Haja assaduras.

Continue lendo [ Camelagem ] Festival de camelos #3/3

Postado em 18/10/2006 14:44 por Arthur Veríssimo

[ Camelagem ] Festival de camelos #2/3




Com a cabeça e corpos empapuçados com o excesso de calor e sol, fomos convidados milagrosamente por um raika (pastor) a escutar um pouco das lendas e histórias de seu povo. Tínhamos mais de dois quilômetros de pernada pelo deserto até nosso hotel. Sabiamente, resolvemos dar um tempo. Nos jogamos na sombra dos tratores e carroças em meio a uma espessa fumaça de excremento de cabra e camelo. Nossos anfitriões preparavam a comida e aqueciam a água para uma rodada de chá. A elegância dos homens do deserto com seus brincos, anéis, bigodes, turbantes e fala mansa evocam relatos de tempos imemoriais. As mulheres ficavam em outra sombra, dando risadinhas e cobrindo seus rostos a cada olhada dos matutos brasileiros. Acompanhava dois Raikas tosando com muita habilidade o corpo esguio de um camelo. Faziam diagramas bacanudos e desenhavam carrancas sorridentes no bundão do dromedário. Nosso anfitrião Phagu Singh movimentava suas mãos cobertas de anéis como um napolitano rajastânico. Phagu hipnotizava a platéia. Dançava, cantava e contava historia mitológicas sobre seu povo, os Raikas. Uma delas ficou engavetada feito mantra na minha memória: a Deusa Parvati (esposa do Deus Shiva) criou o primeiro camelo de um punhado de barro. Ela de muitas maneiras tentava controlar e domesticar o animal. Não conseguia. Pediu ajuda a Shiva, que rapidamente criou o povo raika com pedaços da sua própria pele e gotas de seu suor. A camaradagem dos nômades é contagiante. Comemos um pratão com dahl (lentilha) batata, quiabo, masala e arroz com muita pimenta. Um chá preto com leite de camelo complementou nossa refeição. Refeitos e alimentados, seguimos o turbilhão da estrada principal e entramos na confusão, na Índia caótica e sagrada. Uma batalha sensorial épica de encantadores de serpentes, ciganos, saddhus, ilusionistas, crianças fantasiadas de deuses, tatuadores e vendedores ambulantes. O animadíssimo comércio parece a rua 25 de março, em São Paulo, na véspera de Natal. As atrações são uma colcha de retalhos de espetáculos circenses: shows excêntricos, mágicos, macacos dançarinos, eunucos e rodas-gigantes assassinas.

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Postado em 18/10/2006 14:28 por Arthur Veríssimo

[ Camelagem ] Festival de camelos #1/3




O visual uniforme e monótono do deserto como moldura intensifica o patchwork de turbantes, saris, flores, jóias, tatuagens, lixo, vacas, camelos e adereços que explodem pelas colinas. Um caleidoscópio chapado de visões desafia meu equilíbrio no caldo grosso da celebração. Os personagens e cenário parecem pertencer ao clássico As Mil e Uma Noites, adaptadas a um Freak Show terminal. A lua cheia derrama cachoeiras de ambrósia lunar no sagrado lago da medieval Pushkar. Representantes das tribos nômades do Rajastão Gujarat, Harayana, Punjab comercializam seus animais. Cabras, cavalos e, principalmente, a estrela fulgurante da mega-feira: o camelo. O êxodo das manadas de camelos e seus pastores é uma historia milenar, com rotas migratórias que desafiam estatísticas e relatos de viajantes. Os pastores (Raikas) fazem igualzinho como seus tatataravóvozinhos, organizam-se com meses de antecedência, deslocando-se pelo deserto de Thar. A meta é chegar a tempo no período da Kartik Purina (lua cheia de novembro), para vender-trocar-comprar e negociar seus amados e fiéis camelos. Lendas, mitos, parábolas, ciganos, turistada e um mega-parque de diversões é o espetáculo do circo medieval no Pushkar Fair.

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Postado em 16/10/2006 15:51 por Arthur Veríssimo

[ Kumbh Mela ] Festa religiosa #5/5




"Banho sagrado"

Alvorecer do esperado banho sagrado. Fui o primeiro a despertar na barraca com os ruídos, vozes e o cantarolar dos fiéis. Diversos naga babas e homens santos saíam de suas tocas cobertos de cinzas e dirigiam-se para a concentração das suas Akharas (organizações). Saí no frenesi na turba dos peregrinos. Todos se encontravam no transe coletivo da data sagrada. No turbilhão da gigantesca serpente de massa humana, uma energia divina me empurrou para o acampamento principal. Prensado numa gigantesca almôndega, consegui chegar de frente ao “crème de la creme” da saddhuzagem. Milhares de naga babas furiosos e felizes pulavam exibindo seus Trisuls (tridentes), espadas, lanças, machados e espetos. Acostumado a muitas festas religiosas, nunca havia presenciado uma turma tão alucinante e bélica como a que estava diante dos meus sentidos. A situação ia esquentado de segundo a segundo. Um corre-corre pior que fuga de presídio.
No olho do furacão, os policiais e os seguranças das Akharas começaram a dar porretadas em todo o mundo. Ao meu lado, um fotógrafo tomou um coice de tridente na testa. Saí correndo e recebi uma bastonada de raspão nas costas. Ofegante, caminhei velozmente uns trezentos metros e localizei dois amigos que conversavam tranqüilamente do outro lado do cordão de isolamento. Eles se espantaram com minha cara de penitente sofrido. Expliquei que a polícia estava enfiando o sarrafo na moçada. Eles me garantiram que ali onde estávamos nada iria acontecer. Não conseguiram nem terminar a frase: dois velhinhos possuídos pela Deusa Kali enfiaram o porrete em nossos castigados corpos. Enquanto isso, cinco ou dez policiais fecharam as possíveis saídas de acesso. Consegui uma brecha e saí pulando e pisando por cima do povão. Minha última visão foi a de um dos meus amigos sendo massacrado. Sua sorte foi que um fotógrafo ocidental decidiu registrar a cena. Adivinhem? Os velhinhos transferiram os porretes para o sujeito, que apanhou feito estuprador em cadei

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Postado em 16/10/2006 15:42 por Arthur Veríssimo

[ Kumbh Mela ] Festa religiosa #4/5




"Obrigatoriamente zen"

Depois de quase uma semana circulando pelo Kumbh Mela, me sentia em um gigantesco aquário seco onde milhares de cardumes surgiam diretamente do túnel do tempo. Era uma eterna overdose de informações. Acontecimentos estranhos não paravam de borbulhar. Com seus tridentes, espadas e lanças, muitos saddhus praticavam exercícios de yoga e alguns enrolavam e desenrolavam seus pintos como se fossem elásticos. Um dos líderes desta estranha pratica, comentou que essa técnica é nada mais que o controle da mente sobre o corpo. Cá entre nós, tenho minhas dúvidas.
Na Índia, a paciência é testada a todo o momento. É muito fácil perder o equilíbrio e ceder à irritação. É calor, stress e a comida condimentada sempre provoca vômitos e diarréias. A todo átimo de segundo alguém cola em você querendo alguma coisa. Quando isso acontece, a palavra mágica é “chalo”, que quer dizer “cai fora!”.

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